domingo, 16 de junho de 2013

5 meses...


Parece que foi ontem que eu abri a porta deste quarto pela primeira vez. Paredes brancas, janelas fechadas e alguns objetos no chão, provavelmente esquecido. A primeira vez que eu chamei outro lugar de casa.
Na primeira semana, antes de eu ir embora de vez, enquanto ainda estava no Brasil resolvendo todos os detalhes da viajem, arrumando as malas e me despedindo, tudo parecia incrível. A parte mais dificil veio quando peguei o avião sozinha de São Paulo para ca, sozinha pela primeira vez. Foi logo depois do ano novo. Era só eu, meus sonhos e as malas enormes. Dei sorte. A poltrona do meu lado estava livre. Não tive que segurar as lágrimas na hora da decolagem. 
Cheguei em Clovis assustada. A primeira semana talvez tenha sido a mais dificil de todas. Mesmo tendo conhecido muita gente era complicado estar sempre rodeada de pessoas em quem eu não confiava de verdade. Odeio ter que conversar moderando adsolutamente tudo o que vou dizer. Hoje acredito que a solidão tem muito a ver com isso. Não depende de estar com uma multidão sorrindo ou trancada em um quarto escuro chorando. É questão de ter - por perto ou não - alguém pra quem contar aquelas coisas que não deveriamos contar para ninguém.
O tempo foi passando. No meio da bagunça do meu quarto e da minha caixa de entrada lotada, fui descobrindo um mundo, digamos…diferente. Cheio de armadilhas, surpresas e, principalmente, desafios. Sabe aquela coisa que dizem por ai sobre enfrentar por dia pelo menos uma coisa que te faça sentir medo ou frio na barriga? Acontencia sempre: a primeira aula na escola nova, o primeiro convite para uma festa, a primeira viagem de avião sozinha, uma palestra com mais de 400 alunos ou, sei lá, as consequencias do primeiro porre em uma festa. 
Coisas como essas fazem com que eu me sinta cada vez mais uma garota absolutamente normal. Histórias que ficaram registradas e, o melhor, que foram compartilhadas com pessoas que se tornaram ou estão se tornando importantes para mim. 
Acho que, se a gente for parar para pensar, os nossos erros e acertos acabam sendo uma espécie de bússola interna que carregamos pra lá e pra cá. Eles monstram a direção, mas a escolha será, independentemente de qualquer outra coisa, nossa. Ainda precisamos viver para saber, e, pra viver, escolher. Depois é sempre tarde,
Se tem uma coisa que eu aprendi com o tempo é que o fim, as vezes, é só mais um motivo para a gente começar de novo. Neste, caso, um motivo para fazer com que os outros comecem também. Aonde quero chegar?

Juu- xxx

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